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Ericeira Travel
Diário
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Ericeira para quem não surfa

Ericeira para quem não surfa

Vida de vila, caminhadas na falésia, marisco e pores-do-sol. Porque a Ericeira funciona como viagem mesmo que nunca toques numa prancha.

A Ericeira é famosa pelo surf, mas essa fama fica-lhe curta. Muito antes de se tornar Reserva Mundial de Surf era uma vila piscatória a trabalhar, e é isso que ainda se sente ao percorrer as suas ruas. Podes passar aqui uma viagem inteira sem tocar numa prancha e voltar a casa com a sensação de teres visto o sítio a sério. Se viajas com um surfista, ou se só queres um troço calmo da costa portuguesa, a Ericeira cumpre.

Começa pela própria vila. O centro antigo é um emaranhado de ruas estreitas de calçada, casas caiadas com barras azuis, e pequenas praças onde os locais se sentam ao fim do dia. É compacto e totalmente percorrível a pé, sem precisares de carro depois de chegares. Passeia sem plano, segue as ruas que vão dar ao mar, e deixa a luz e o ar salgado marcar o ritmo.

A costa é o verdadeiro chamariz. A Ericeira assenta sobre falésias baixas, e um caminho corre ao longo de grande parte da orla, ligando uma praia e uma enseada à seguinte. Percorrê-lo é a melhor forma de perceber a vila, com o Atlântico de um lado e a povoação do outro. Há miradouros espalhados pelo caminho, e cada um enquadra o mar de forma um pouco diferente.

Como esta costa está virada a oeste, os pores-do-sol são extraordinários. Encontra um miradouro ou um café no cimo da falésia ao fim da tarde, pede uma bebida, e vê o sol cair a direito dentro do oceano. É um ritual diário para locais e visitantes, e não custa nada. A luz na meia hora antes do pôr-do-sol torna as casas caiadas douradas e vale a pena planeares a tua noite à volta dela.

Depois há a comida. A herança piscatória da Ericeira faz do marisco não uma atração de fachada, mas o essencial. Peixe grelhado, marisco e arrozes feitos com o que entrou nesse dia enchem os restaurantes locais. Comer aqui é sem pressas, um almoço demorado à beira-mar é um plano de tarde legítimo, e não precisas de perceber de surf para apreciar um prato de peixe fresco e um copo de vinho da região.

As praias funcionam mesmo que nunca surfes. A Praia dos Pescadores fica mesmo por baixo da vila antiga, abrigada e fácil de alcançar, enquanto outras enseadas oferecem água mais calma para um mergulho no dia certo. A Ribeira d’Ilhas vale a visita só como espetáculo, senta-te no terraço por cima dela e vê os surfistas a trabalhar a onda enquanto não fazes nada mais esforçado do que pedir outro café.

A Ericeira é também uma excelente base para passeios de um dia. Sintra, com os seus palácios e serra arborizada, fica perto o suficiente para uma saída fácil, e o enorme palácio-convento de Mafra está a uma curta distância de carro para o interior. Ao longo da costa, a aldeia sobre a falésia de Azenhas do Mar é uma paragem de fotografia clássica. Consegues encher vários dias sem nunca ir longe.

O que define uma viagem sem surf aqui é o ritmo. As manhãs derivam para almoços longos, as tardes para caminhadas na falésia, as noites para pores-do-sol e marisco. Há pequenos mercados, cafés que recompensam quem demora, e um compasso que premeia abrandar em vez de despachar pontos de interesse. Não é um sítio para andar à pressa.

Na prática, não podia ser mais simples. A Ericeira fica a uns quarenta minutos de Lisboa de carro e é alcançável por autocarro direto, por isso podes chegar sem veículo e safar-te lindamente a pé. Fica num sítio perto da vila antiga e terás praias, restaurantes e miradouros todos a uma curta caminhada.

A vida piscatória da vila ainda se vê se a procurares. Pequenos barcos trabalham a água ao largo da costa, e a pesca do dia é parte da razão por que o marisco é tão bom. Desce até à Praia dos Pescadores, a praia dos pescadores, de manhã e ganhas a noção da vila a trabalhar por baixo da superfície de férias. É um ambiente sem pressas e profundamente local, que se manteve à parte da chegada dos surfistas.

Por isso não, não precisas de surfar para adorar a Ericeira. As ondas são a razão por que o mundo reparou nela, mas a vila, a comida, as caminhadas e a luz são razão suficiente para vir, e para ficar uns dias mais do que tinhas planeado.

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